Jean Ramos fala da estreia no Ama Supercross 2015


O brasileiro Jean Ramos fez sua estreia na temporada 2015 no no sábado, 3, em Anaheim, na Califórnia, durante a etapa de abertura do AMA Supercross (campeonato mundial da modalidade). Chegou muito próximo da classificação para o Main Event (final) por duas vezes, mas acabou perdendo a vaga por causa de duas quedas.



A segunda rodada da competição acontece no próximo sábado, dia 10, em Phoenix, no estado do Arizona. O brasileiro da equipeYamaha Grupo Geração estará lá, mas antes nos conta com mais detalhes como foi a estreia na temporada 2015.

Confira!

Você chegou perto da classificação. Conte como foi o momento da queda na repescagem.
Jean Ramos: Cometi um erro antes do triplo e pensei: se eu saltar só o duplo, ele (piloto que vinha atrás brigando pelo quarto lugar) vai me passar. Então eu tentei o triplo. Só que faltou um pouco. Vi que ia dar uma "encavalada", mas achei que eu não cairia. Só que quando bateu em cima da terceira rampa do triplo, perdi as duas mãos e caí. Se não tivesse perdido as duas mãos, talvez tivesse conseguido continuar.

Saiu frustrado por causa disso?
Jean Ramos: Saí chateado comigo mesmo. Não fui para o Main Event (final) por culpa minha. Foi um erro fácil de ser corrigido, mas na hora, naquela adrenalina, não consegui. Na classificatória (Heat) também estava bem. Estava em décimo e colado no Scott Champion. Caí naquela parte de areia e demorei demais pra ligar a moto e voltar. Mas, pelo menos sei que tenho velocidade para andar no Main Event. Agora é corrigir os erros e ir com mais força na segunda etapa.

Ficou nervoso por ser a primeira etapa?
Jean Ramos: Nervosismo normal. Aumentou um pouco quando fui olhar a pista (na manhã de sábado). Depois fiz bons treinos e estava tranquilo para as classificatórias. Este ano estou mais experiente, não fico olhando muito para os lados, fico mais concentrado durante o dia todo.

A pista era difícil?
Jean Ramos: A pista era fácil. As costelas estavam difíceis no começo, mas depois melhoraram. Não tinha nada muito espetacular. Saltei tudo o que os pilotos de fábrica estavam saltando. Mas a tendência é a pista ficar mais difícil a cada rodada. Eles sempre começam com pistas mais fáceis e vão evoluindo.

E o tombo do Wil Hahn? Assustou os pilotos?
Jean Ramos: Vi só depois, na TV. Não sei o que aconteceu, se deu neutro, ou travou o motor. É uma coisa que pode acontecer. Ele levou azar da moto bater nele. Nenhum piloto gosta de ver aquilo acontecer. Todo mundo lamentou, mas na corrida é tudo muito rápido, não tem muito tempo pra conversar, pra repercutir. No dia, ninguém sabia o que tinha acontecido exatamente.

Os pilotos nem assistem aos treinos e corridas das outras categorias?
Jean Ramos: Assistimos sim. Todos assistem quando dá. E ficam todos na arquibancada, junto do público. Mas é tudo muito rápido, não dá muito tempo.

Muitos brasileiros acompanharam a corrida, inclusive aí nos Estados Unidos. Você viu a repercussão da sua participação?
Jean Ramos: Apareceu bastante brasileiro aqui. Tem uma galera de férias, outros pilotos que vieram treinar nos Estados Unidos, outros que moram aqui. É muito legal ver todo mundo torcendo. Ajuda muito. E quando eles aparecem no box, dá uma descontraída, tira um pouco da tensão. Eu fiquei até impressionado com a quantidade de gente que acompanhou ao vivo pela internet. Esse ano o apoio está muito forte. Isso me anima muito.

Qual foi a rotina depois da corrida?
Jean Ramos: Domingo descansamos um pouco e hoje (segunda-feira) voltamos para a pista. Mudamos algumas coisas pra melhorar a largada que vamos testar melhor durante a semana. Com certeza estaremos mais confiantes na segunda etapa. Temos que melhorar um pouco nas costelas ainda, ganhar um pouco mais de velocidade nas curvas.

Olhando de perto, o que você achou das corridas finais?
Jean Ramos: Todo mundo achou que foi um pouco chato. Já vimos corridas melhores. O Ken Roczen (categoria 450) abriu na frente e a atração acabou sendo os tombos do (Eli) Tomac e do (Davi) Millsaps. E na 250 com certeza já existiram etapas melhores. A pista nivelava muito. Mesmo assim, o (Jessy) Nelson me surpreendeu. Eu sabia que ele poderia estar no pódio, mas não achava que venceria. Achei também que o (Tyler) Bowers andou nervoso e o (Zach) Osborne foi muito bem. Supercross é meio maluco, acontece muita coisa.

E a sua pilotagem em relação a deles, você acha que tinha muita diferença?
Jean Ramos: Eles eram um pouco mais soltos na moto e um pouco mais rápidos nas curvas, nada absurdo, coisa de décimos. E as motos das equipes de fábrica também são diferentes.

Para finalizar: por que você escolheu o número 789 este ano?
Jean Ramos: Da outra vez que corri aqui eu era 992. Ano passado, eu poderia ter usado o 90, mas como não participei do AMA SX, perdi o 90 e perdi também o 992 (outro piloto escolheu). Então, 89 é o ano que eu nasci, já usei o 7 em outros momentos da carreira, a sequência ficava interessante, optei pelo 789.

Entenda o AMA Supercross
É o campeonato norte-americano de supercross (uma modalidade de motocross disputada dentro de estádios). Começou em 1974 e conquistou público no mundo inteiro. Desde 2004 é também o campeonato mundial de supercross da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Tem 17 etapas, todas realizadas nas noites de sábado, em estádios de diversos estados norte-americanos e um do Canadá. É transmitido ao vivo pela televisão e pela internet.

Jean Ramos participa da competição pela terceira vez (correu em 2012 e 2013). Ele participa da categoria 250SX (motos de 250 cilindradas) com patrocínio da Yamaha Grupo Geração, equipe pela qual também competirá toda temporada de 2015 do Brasileiro de Motocross e Arena Cross.

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